quarta-feira, 17 de novembro de 2010

transformação

Vou catar estrelas
caminhar sozinho
colher manhãs
regar o caminho.

Guardar os ventos
colecionar brisa
fechar a porta e
entrar para dentro da alma.

Cheirar o amanhecer
e dizer a verdade morta
fazer da verdade mentira
tentar abrir a porta.

Ficar pelado e sair
ficar vestido e chorar
mergulhar no fundo
e trocar lágrimas com o mar.

Anoitecer no meu dia
ser um poço fundo
afogar em mim mesmo
e ressuscitar.

Nadar na angustia
defender a natureza
estreitar os horrores
e engolir minha angustia.

Passear pelos bosques
encharcar na lama
embriagar em vinho
e desfalecer numa cama.

Escarrar meus espinhos
enforcar meus temores
verter melancolias
e vomitar minhas dores.

Voltar ao principio
flores de pétalas frias
ser o começo de tudo
morrendo em noites vazias.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

dramas da vida




Dentro tem um sonho desfeito
caminhos de pedras e asfalto
dentro tem um drama inacabado
um monólogo sem fim
lamas jogadas no jardim.

dentro tem uma casa em ruinas
gato com fidelidade canina
portas pintadas de branco cafeína.

cupula de um mosteiro

(contém citações de wladmir maiakovisk)

Tenho um sonho

que levarei comigo

como um apóstolo

através dos desertos

e caminhos íngremes.



Além do intenço calor

que me aflige

tuas palavras provocam frio

um frio que tolhe

como se beijasse com lábios

hereges a pedra fria

da cúpula de um mosteiro.



tú que me tomaste

atormenta minha alma

de delirios

aceita minha triste oferenda

pois talvez nunca mais

eu escreva nada

fuzilai-me e vês

que estou cravado no papel.

sábado, 9 de outubro de 2010

escrever poemas


Escrever poemas,

o que esse gesto pode trazer

de sensato, de real.


para o poeta

escrever é uma dor que se segue

de angustia e aflição.


na realidade o poema

é o ópio do poeta

mas não tranquiliza

não traz paz

pelo menos

a quem escreve.


o poeta chora ao escrever

ri como se fosse louco

viaja nas efemeras letras.


se angustia por um poema inacabado

pensa ser o criador.

mas não passa de um pseudo projeto

de homem caído

e escreve para fugir.


coitado do poeta ,

é somente uma folha amassada

jogada no jardim

entre as rosas de isopor

e se contenta em escrever

um triste poema de amor.

verão

( a vinda do criador)

Quando o verão chegar
as lágrimas cessarão
os pesadelos serão lançados no mar
não haverá mais dor no coração.

Quando verão chegar
vou ser um exemplo de fidelidade
no azul anil navegar
passear calmo nas ruas da cidade.

Quando o verão chegar
serei um novo poeta
deixar a porta aberta
para o trino Deus entrar.

Quando o verão chegar
vou caminhar um lindo caminho
nunca mais serei sozinho
o coração limpo para voar.

Isolado
deixado de lado
escondido
jamais achado
separado
um corpo decepado
jogado
totalmente abondonado
maculado
um triste poema
inacabado.

ADEUS.

ADEUS

Ler um bom livro
antes de dizer adeus
e partir
para longe de mim mesmo.
vou ver um bom filme
antes de tirar os pé do solo santo.
vou dar um belo e
delicioso beijo
nos lábios ateus
antes de me tornar
uma peça sacra de museu.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O banheiro mal assombrado


Um grito de terror ecoou dentro do banheiro como num filme de sexta-feira 13 á meia noite.
todos olharam em direção aqueles berros aterrorizantes,
em segundos, saiu pela porta quase derrubando-a uma mulher pálida suando como pano de cuscuz ,tremendo com os olhos esbugalhados.
A biblioteca que deveria ser o templo do silencio,foi tomado de uma polvarosa balburdia, vendo o estado traumático em que se encontrava tão delicada dama.
-O que ouve? perguntou, um senhor que tinha a careca tão brilhante que parecia usar creme lustrador, não houve resposta, aquela dama que outrora estava pálida, agora amarelou-se e a voz não saia apesar dos seus esforços.
-Alguém vai lá no banheiro ver o que aconteceu, berrou uma jovem adolescente balançando seus belos cabelos negros cacheados até a cintura.
O medo estava estampado no rosto de todas as pessoas que se encontravam na sala da biblioteca. e quem teria a coragem de ver o que havia no banheiro?
Um rapaz com voz tremula falou quase cochichando.
-E se for um monstro?
-Hora, não fale asneira rapaz monstros não existem, deve ter alguma coisa lógica dentro do banheiro, retrucou um senhor com um livro de filosofia debaixo do braço.
-Tá bom, então vai lá ver a sua coisa lógica, desafiou o rapaz com ar de ironia.
-Deve ser um tarado que atacou essa pobre criatura, e ainda esta escondido no banheiro,falou a beata ,apertando ao peito um livro teológico.
-Não ,provavelmente ela teve algum contato extraterrestre e sem saber do que se tratava a dama se assustou, apostou um baixinho com um livro de ficção cientifica na mão direita.
-Muito provavelmente não tem nada naquele banheiro, essa dama deve ter tido um surto psicótico imaginário que a levou a atitudes desconexas com a nossa realidade, sentenciou uma moça com rosto cumprido, olhar pensativo com um enorme livro de psicologia abraçado ao colo .
-Tá, mas quem vai ver o que há lá dentro,perguntou o assustado rapaz temendo ser um monstro dentro do banheiro.
Nessas alturas ninguém cuidava nem ligava pra amarelada dama, petrificada num canto da sala.
-Vou ver o que esta lá dentro, disse o senhor com um livro de filosofia debaixo do braço.
E assim ele fez, respirou fundo, olhou assustado para dentro do banheiro, não vendo nada entrou sumindo dos olhares pasmicos de todos.
-MEU DEUS O QUE É ISSO!!!!!
Saiu do banheiro jogando para cima seu livro de filosofia, saindo em desabalada carreira pra fora da sala.
O pânico instalou-se de vez.
-Será que é algum animal, disse um tímido mas assustado senhor com óculos na ponta do nariz.
-Só se for um leão ,disse a beta.
-Talvez um animal espacial,falou o baixinho , parecendo mais baixinho ainda, de tanto medo.
-Aqui não tem homem pra enfrentar este maniaco que esta escondido no banheiro?, disse novamente a beata.Indignada pegou seu livro teológico,como se fosse um tijolo e foi em direção ao banheiro, decidida, em passos firmes.
...
Durante alguns segundos não se ouviu mais nada, parece que ninguém sequer respirou.
-QUE HORROR !!, AVE MARIA !!, CRUZ CREDO !!
E como um raio a beata saiu do banheiro , se abrigando no canto da sala junto com a tremula dama que a abraçou como quem quisesse se proteger.
-Alguém já chamou a policia, indagou o senhor com óculos na ponta do nariz.
-Já esta a caminho , respondeu a moça dos belos cabelos negros cacheados até a cintura.
-Vou ver do que se trata disse o senhor . ajeitou os óculos na ponta do nariz e foi em direção ao assustador banheiro.
-Pára, não faça isso!! você ficou louco. disseram todos como num coral bem ensaiado.
Mas ele estava decidido, e sem pestanejar adentrou,aquele recinto assustador.
...
passou-se um breve momento e o silencio era quase que visível, logo o silencio é quebrado por uma gargalhada profunda.
-Ele ficou louco! pirou de vez! o que será que houve? disse a moça pensativa com um livro de psicologia junto ao colo
-venham ver!!! ouviu-se uma voz saindo do banheiro.
-É apenas uma lagartixa engolindo uma barata!!!
Propósito o livro que ele segurava era sobre entomologia.

A Janela e a flor







Uma arvore singela

Olha para fora da janela

E vê uma flor,

linda cena.

Pôde então confirmar,

a vida vale a pena.

sábado, 18 de setembro de 2010

SALA DE JANTAR

(contém sitações de Janires Magalhães Manso -grupo rebanhão)


Da sala de jantar, ouço o ronco do estomago

daqueles que não tem o que comer

e como cães caçam no lixo um alimento.

Da sala de jantar

ouço os gritos dos trabalhadores explorados

ouço o choro infindo das crianças

estrupadas, das crianças orfãs.

Da sala de jantar

vejo a miséria impiedosa

devorando gente, engolindo esperança

arrotando sonhos.

são restos, escarros cupidos pela vida

que é mais que bandida traficando miséria.

Da sala de jantar

"vejo a que as salas estão vazias

os campos coloridos estão deserto

a poesia que fala que as flores ia crescer

estão abandonadas ,amarrotadas nos bolsos dos poetas".


Os músicos , poetas

políticos, religiosos e os intelectuais

os psicólogos, filósofos

e assistentes sociais

estão comendo caviar

na bela sala de jantar.

OS GRITOS

Dia sem sol
nuvens cinzas cobrem o céu azul
cinzas é o que resta de nossa esperança
que se foi como fumaça.
A cabeça dói.
Ondas da praia gritam
tentam nos afogar
só porque o mar perdeu o seu azul
só porque o mar perdeu seus peixes.
A cabeça dói.
temos medo
medo do amanhã
medo de não haver amanhã
medo do que se entende
medo de não se entender nada
temos medo de nunca mais sentir medo.
a cabeça doi.
ecoa um grito
que se multiplica
grito de dor de tristeza.
grito que são ouvidos pelos loucos surdos
grito que ninguem quer ouvir
grito sem voz, dados pelo coração.
após o grito, um silencio asfixiante.
A cabeça doi.
fingir que ninguem gritou
fingir que todos são felizes
fingir que não é comigo
fingir, fingir que não sei fingir
fingir que ouvi
fingir que tenho medo.
A cabeça?
finjo que
não doi.

DESMATAMENTO



É impossivel destruir o céu,
pinta-lo de cinza ou roxo.
As estrelas decoram o céu ao anoitecer,
estrelas não se apagam.
Nos jardins brotam flores
e seu perfume e beleza encantam
os enamorados que se amam sobre as palmeiras,
e ouvem com atenção o canto livre do sabiá.
Mas.. o céu agora é cinza
as estrelas apagaram
as flores murcharam
o perfume fedeu.
os enamorados, fugiram.
as palmeiras, derrubaram.
o sabia, calou-se e dos
seu olhos verteu uma lagrima.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

seca






terra seca

folha seca

cabelo seco

carne seca

tomates secos.

a boca pinga

a boca mingua

a boca úmida

come a lingua.


Brisa




sem querer te vi
tão distante quanto a lua
tão perto quanto o espelho
tão distante quanto nua.
tua tez luzia
e o corpo cintilava
enquanto caia o dia
e a noite levantava.
nos teu olhos vivi
o vento soprou mais forte
impactante, desfaleci
na brisa leve da morte.

ouça este programa da radio transmundial sobre arte.
apresentação Nelson Bomilcar.



#226 - Reflexão: O Senhorio de Cristo e a Redenção das Artes

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Jessye Norman 'Give Me Jesus' 1990

uma poesia ,um deleite,Jessye Norman magnifica!!!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

pássaro azul



Se não fosse aquele pássaro azul
jamais voaria nas ondas espumante do infinito.
Se não fosse aquele peixe cinza
jamais nadaria no fundo mais profundo
do mar de cada um de nós.
Se não fosse aquela flor amarela
não sentiria o gosto doce da pétala caída
não sentiria a suavidade indizível
da pele verde da natureza.
Se não fosse a solidão
jamais sentiria na pele negra
o carinho deleitável da poesia.
Se não fosse o coração
cantaria uma canção
sem começo ,sem fim
dizendo sempre
ai de mim !
ai de mim !

A LUZ

A LUZ


(ali estava a luz verdadeira que alumia a todo o homem. João 1;9)

Escuridão na casa da tua alma
onde a luz não entra onde não há calma
e os olhos não veem claridade
na casa da tua alma , a escória da humanidade.

Essa luz que não acende...

Nessa sala pequena voce se perdeu
num mundo sem luz banhado de breu
a sala escura te transborda de medo
com certeza não havera sol amanhã cedo.

Essa luz que não acende...

No quarto escuro seus pensamentos vão passear
não te deixam dormir não te deixam sonhar
uma droga deitado na cama
encharcado de cachaça no teu quarto de lama.

Essa luz que não acende...

Na parede cinzenta um quadro escuro
mostrando voce em cima do muro
na mesa branca uma vela apagada
no altar da sua vida uma senhora calada.

E essa luz qua não acende...

As mães são flores

ORAÇÃO DA MAÇANETA (POESIA DE GIÓIA JUNIOR)

UMA MULHER NA FRENTE DO FOGÃO - GIÓIA JÚNIOR

domingo, 18 de abril de 2010

Teus olhos

Os olhos



Teus olhos olham
Teus olhos olham os meus
Teus olhos estão focam
Teus olhos dentro dos meus
Teus olhos falam com os meus.

Teus olhos veem meus olhos molhados
E se molham também
Teus olhos vê meus olhos sorrindo
E sorri também
Teus olhos devoram
Teus olhos devoram os meus.

Poesia

Deixar de viver é mais que a morte
Nós não somos iguais aos outros
Morremos em momentos
Vivemos em outros.

Para deixar de sonhar e amar
É preciso muito mais que morrer
Esta além da morte e da vida.

Como não sonhar se a poesia
É parte viva de nossa alma
É um orgão do nosso corpo.

Poetizar é viver sem querer
Quando a tristeza se torna
A razão da nossa alegria.

Só nós criamos a nossa felicidade
Criamos a nossa ínfima paz
Criamos a nossa alegria
E por criarmos tanto
Criamos também nosso desejo
De morte.
Desejar morrer é divino
Transformar em fato
É maligno
Não faz parte de nossa
Alma de poeta.

Nós sabemos querer morrer
Sem morrer
E sabemos querer viver sem viver
Quando a morte se faz presente
Nós a beijamos e a mandamos embora
Só os poetas sabem beijar
A morte.

Adoramos a vida
Só sonha quem vive
E viver é sentir dor angústia
E sentimentos afins.

A nossa alma não esta vestida
Todos os poetas tem almas nuas
Leves que saem de quando em vez.

É preciso aprender a desaprender
Tudo o que nos ensinaram

E quando o poeta se deixar
Ser eternizado
Viverá o pedaço de sonho
Que lhe cabe.

Ser poeta não é escrever
É um estado de espírito

Somente nós choramos lendo poesia
Somente nós choramos vendo pintura
Ouvindo música
Olhando uma fotografia
Olhando a nossa alma.

A alma?
A alma vai bem, obrigado!
Não queremos ser diferentes
Não queremos ser iguais
Só temos a absoluta convicção
Que a vida ,verdaderamente vale a pena.

É só esperar.

Não esperar nada
Pois não tem
Só sentir
E esperar
O tempo passar.

Só deitar e esperar
Tudo passar

Não deixar
A morte pegar
Não deixar
A demência abraçar

Só ler um poema
E esperar tudo passar.

Filosofar !

Filosofar dentro de um contexto lógico empírico pós-aristotélico, emplica dizer que a dialética cientifiza pré-socrática, não tem absolutamente nada a ver com valores da ética estóica patristica. Da mesma forma que a razão intuitiva sofista tem seus parametros arraigados na fenomenologia cética positivista levando a fundamentos determinista conceitual utópicos e todo esse conceito filosófico junto com a moral platônica, iluminista, implica numa condição inequivoca, de que tudo o que escrevi, como conceito positivista, filosófico, é tudo esterco, uma grande besteira dialética - acho que vou ao banheiro, que merda de dor de barriga .

Quem?

Quem

Quem será a mulher por mim exaltada!
Santificada
Divinizada

Qual a mulher
Que tera tal sensibilidade

Qual a mulher que precipitará
Essa lágrima pronta para rolar

Qual a mulher que tera glórias e louvores
Por me mandar
Um ramalhete de flores.

Alguma coisa espera

Alguma coisa espera o silencio é o lençol
A tristeza a cama
A dor nunca espera

Corpos mortos nas sepulturas
Sonhos mortos nos caixões

Alguma coisa espera
Esperanças calhadas
Vermes famintos
Devoram os ossos
Há mortos

Alguma coisa espera
Sem mortos não há
Ressurreição
E a vida abre os caixões
Extremina os vermes
E provoca sem pedidos
Sem avisos
Sem autorizações
Provoca ressurreições

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dentro de mim


o que esta mais perto que o dentro
o que esta mais íntimo que o centro
o que é mais nosso que a saliva
o que é mais secreto que o ouvido
o que é mais sincero que a boca
o que mais te quer que meu corpo
o que mais te sente que minha pele
o que é mais meu que teu jeito
onde mais tú moras que meu peito.

sobre as dores e tristezas

Sobre as dores não tenho
tantas assim,
tenho um pomar
e um pequeno jardim
que me traz paz
e um pouco de mim.

sobre as tristezas
não tenho tantas assim
tenho um livro
e um sonho dentro de mim
e portanto, tanto faz
o sonho sempre se refaz.

sobre as lágrimas
não tenho tanto assim
só o bastante
para me afogar dentro
em mim.

ramalhetes de flores

Receber como quem recebe a vida
sorrir um riso refletido da alma
e minha alma se alegrará.
celebrar se possível com um
culto em louvor ao remetente.
verter lágrima sem pudor, e só parar quando passar a vontade.
ficar calmo para que o
miocárdio não enfarte
ficar petrificado quase duvidando
ser transladado, transfigurado,
transubstanciado.
e por apenas um dia
trocar minhas tristezas e dores
por um singelo ramalhete de flores.

cerimonias e eventos -jeff e jujy

terça-feira, 13 de abril de 2010

teu retrato na parede







Vou ficar num quarto azul
lendo Rubem Alves e Maiakovisk.
Na parede teu retrato sorrindo.

Ler em alta voz para que
teu retrato ouça poemas de amor
misturado com tristeza
melancolia e dor.
Na parede teu retrato sorrindo.

acender uma vela perfumada
para iluminar as palavras vivas
cantando a canção.
que o silencio seja profundo
como teu retrato na parede sorrindo.

lerei estórias e poemas
com a paz que há de afogar
minha alma,
deixando nas narinas
o cheiro suave
dos versos de amor
e o doce cheiro azedo
dos poemas tristes.
Na parede teu retrato sorrindo.

que o silencio torne-se então concreto
para que tua alma ouça
e celebre com velas
azuis e taças de cristais.
E na parede teu retrato sorrindo.

ressurreição

transformar agua em vinho
voar como um passarinho
sonhar em ser um bosque
e começar a viver.

explodir em raios e trovões
cantar uma canção bonita
falando de vida,
e seus sons traduzam as inspirações
de não caber palavras
dentro da canção.

morrer sossegado
tranquilo e calmo
ressuscitar em glória
sem dores nem ais
cercado de bem-te-vis
rodeado de pardais.

desiludido

Tinha bala numa arma
não tinha arma nenhuma
tinha areia nos olhos
não tinha olhos nenhum.

tinha desejo naquela mulher
não tinha mulher nenhuma
tinha um beijo naquela boca
não tinha boca nenhuma.

tinha poesia naquela canção
não tinha canção nenhuma
tinha tudo naquele mundo
não tinha mundo nenhum

a falta que faz.

Que falta faz
um beijo na alma
uma umidade mais íntima.

Que falta faz
um abraço mais terno
desses que ninguem dá.

Que falta faz
um olhar mais profundo
uma realidade
vivida no sonhar
dessas que não
se vive no mundo
dessas que não
se pode comprar.

desfaz

Escrevo tudo o que me desfaz
e percebo que nem sempre sou capaz
de apossar o que me traz
amor, alegria,vida e paz.

só para saber

Ainda ontem me joguei
sobre as rodas
quentes de um trem
só para viajar
a um lugar seguro.

ainda ontem me embreaguei
tomei remédios e me calei
só para ver
se era assim mesmo.

ainda ontei bebi veneno
cortei os pulsos
só para saber
se vale a pena.

ainda ontem morri
de saudade
uma dor imperfeita
destruindo a sanidade.

paixão

Sequidão num terreno árido
solidão num corpo pálido
coração num peito cálido
paixão, nem tudo é válido.

Adeus Akira Kurosawa

Akira
e os sonhos
belos e medonhos
gritantes e silencios.

Akira
e o sol
iluminando
sua arte irreverente.

Akira
apagou-se
uma luz
no oriente.

Câmara,
agora é anjo.

luz ,
toca uma lira.

Ação,
adeus Akira.

guitarra que chora

Alegria veio da fundura
sorriso brilhou na escuridade
sopro doce que dura
na rocha firme da verdade.

Presença leve no ar
paz que paira no vento
desprovido do amar
as vezes só lamento.

Guitarra chora em pranto
corpo quente no cio
orações hereges para o santo
que mora na terceira margem do rio.

sopro de vida

vida brota do vento
venta o vento
vem ver o vento
que o vento traz.

vê o voar do vaga-lume
voa com o vento
venta vento
vem ventilar
meus pensamentos
vem viajar no vento
que venta o meu lamento,
vem vestida,

e veja que quando
o vento venta
é um sopro de vida.

passeios

alcancei a alegria
namorando a tristeza.
consegui meu equilíbrio
cortejando a insanidade.

Tenho coragem graças
aos passeios noturnos com o medo
as angustias vividas intensamente
trouxeram calma completa.

Toda lágrima que passeou no rosto
deixou risos encrustado.
e esse arco-iris nasceu
após longas noites triste
de escuridão.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Religiosos

Religiosos honestos
Religiosos exemplo
Religiosos se sustentão nas aparências

Religiosos farizeus
Religiosos verdadeiros
Religiosos demagogos
Religiosos puros
Religiosos eleitos

Religiosos são filhos
Religiosos são bençãos
Religiosos fecham a porta
Para os que pecam
Religiosos trancam
A porta para sempre

Religiosos donos da palavra
Da palavra escrita
A palavra viva morreu
No último culto

Religiosos
Santos
Perdoados
Puros
Eternamente...
Religiosos.

Só animais

Só animais tem cio
Só animais mordem
Só animais lambem
Só animais rosnam
Só animais cheiram
Só animais pensam
Só animais tem paz
E quanto mais conheço os homens, muito mais eu gosto dos animais.

domingo, 21 de março de 2010

Lia e a Bíblia.


Ali
Lia lia
Dia após dia
Lia absorvia
O que lia.
Lia sabia
que , o que lia
lhe traria, alegria, poesia
cidadania.
Lia lia
e sabia em quem cria.

Crer


creio que creio.
As vezes descreio
Outras,cegamente creio
Creio que sempre crerei
Logo, creio que nunca cri
Mas... rapidamente descreio.

Creio ouvindo o grilo
No meio do matinho
Que crê como nunca vi
Cantando no seu cantinho
Cri,cri,cri,cri...

(baseado no poema :o grilo de Gioia Junior)

O amor e a alma humana.



O interior da alma humana
Não é casa pintada de amarelo
É cinza roxamente insana
Onde a consciência virou farelo.

A luz não chegou
Apesar das velas acessas
A imagem não se importou
Com o branco das mesas.

O interior da alma humana
Quer ser livre como pardal
Não quer ficar preso na cama
nem ser casa de chacal.

Quando a luz chegar
Trará vida, trará amor
E o amor não se engana
Quando quer fazer morada
No interior da alma humana.

Conversão



Quem me bebeu
Quando estive amargo
Sem gosto
Quem me comeu
Quando a carne endureceu
E perdeu o gosto.

Quem deu sonhos
Quando os pesadelos
eram o habitat natural.

Quem acendeu a luz
Quando a escuridão
Fazia parte do ambiente
Triste da alma.

Quem trouxe
Leves manhãs de sol
Quem plantou na alma
Um lindo girassol.