quarta-feira, 17 de novembro de 2010

transformação

Vou catar estrelas
caminhar sozinho
colher manhãs
regar o caminho.

Guardar os ventos
colecionar brisa
fechar a porta e
entrar para dentro da alma.

Cheirar o amanhecer
e dizer a verdade morta
fazer da verdade mentira
tentar abrir a porta.

Ficar pelado e sair
ficar vestido e chorar
mergulhar no fundo
e trocar lágrimas com o mar.

Anoitecer no meu dia
ser um poço fundo
afogar em mim mesmo
e ressuscitar.

Nadar na angustia
defender a natureza
estreitar os horrores
e engolir minha angustia.

Passear pelos bosques
encharcar na lama
embriagar em vinho
e desfalecer numa cama.

Escarrar meus espinhos
enforcar meus temores
verter melancolias
e vomitar minhas dores.

Voltar ao principio
flores de pétalas frias
ser o começo de tudo
morrendo em noites vazias.