segunda-feira, 5 de novembro de 2007

num século qualquer


(baseado no poema aproposito disto de Vladimir Maikovsk)



Enterra-me nas pedras
longe do cheiro fétidos dos palácios
do mofo nojento de Brasília.
a sete palmos do orgulho
da injúria ,da injustiça social
quero ficar só com os vermes
acariciando meu rosto.



Enterra-me a sete palmos abaixo da terra
a sete palmos dos assassinos das flores
sete palmos da pocilga do planalto
que ri das nossas dores.
Enterra-me na terra fria
não quero ver a criança jogada no lixo
vivendo, correndo na cidade
como um bicho
brincando de agonia.



Enterra-me como se enterra um animal
sem cerimonia
sem flores morto afinal.
Não posso mais respirar
o mesmo ar dos porcos imundos
repulsivos matadores de crianças.



Por favor
enterra-me sem dó
sem dor
longe, bem longe de tanta falta
de amor.



Mais uma vez peço
enterra-me, nem que seja
pelo menos este fim de semana
num jardim da casa da Eliana.



Enterra-me no mais quente dos vulcões
para não ver o fogo da inveja
queimar nos corações.
Enterra-me no fundo do poema mais profundo
longe da fome e miséria
que assola o mundo.


E quem sabe num dia
de um sábado qualquer
eu também possa ressuscitar.

Com um grito de silencio
vindo do fundo
do fundo da poesia úmida.


-ressuscita-me!!!
quero ver o amor
brincando nas ruas
subindo nas árvores
deitando no chão.


-ressuscita-me!!!
para caminhar na noite
sem medo de ladrão nem de policia
ver a lua sorrindo bonita
iluminando meu caminho.


ressuscita-me!!!
pois quero ver os velhos
orgulhosos do passado
alegres com o presente
e esperançosos com o futuro.
E verei a verdadeira justiça
sem mentira, sem injúria.
Poder sentir gostoso
o cheiro forte expelido
do planalto central.


ressuscita-me!!!
nem que seja por um dia
num domingo de sol
e minha poesia falará suave
nos ouvidos de quem vive.
Dai-me uma caneta
com pétalas na carga
para poetizar o mundo
num papel sem pauta.


-ressuscita-me!!!
em forma de poema
falando aos ouvidos sensíveis
que ouve com a alma.


-ressuscita-me!!!
nem que seja para ver minha amada.


-ressuscita-me!!!
e a partir de então
"a família se transforme
e o pai seja tão somente o universo
e a mãe seja no mínimo a terra".


Que a felicidade seja nossa sina
em algum dia,
de um século qualquer.

Um comentário:

Cris Bo disse...

Excelentes letras!
Si me permites me quedo para seguirte, un fuerte abrazo desde Uruguay!

http://sombriabelleza.blogspot.com/